Guarda afasta agentes que atuaram em dispersão de manifestantes

Servidores não atuaram no Grupo de Pronta Intervenção ou em outras atividades de rua enquanto durar investigação
A partir de segunda-feira (18), todos os Guardas municipais que participaram da repressão a uma manifestação no Terminal Morenão, em Campo Grande, estão suspensos das atividades de rua da Guarda Civil Metropolitana. Os profissionais atuarão apenas na parte administrativa da instituição.
Segundo a assessoria de imprensa da Guarda, o afastamento do Grupo de Pronta Intervenção (GTI) e das atividades de rua é preventivo, devido ao processo administrativo que será aberto para apurar “eventual excesso” dos servidores que usaram spray de pimenta no grupo de manifestantes para dispersá-los.
“Essas atitudes não condizem com o trabalho da Guarda”, salientou a assessoria da instituição. A tensão foi causada pela espera de mais de uma hora por um ônibus, por um grupo formado principalmente por mulheres que seguia para o trabalho, na sexta-feira (15), feriado da Proclamação da República.
Nos feriados, as linhas do transporte coletivo da Capital operam com número reduzido de veículos. O resultado foi que as passageiras que aguardavam a linha 072 fecharam o terminal Morenão e não deixavam que nenhum ônibus saísse do local.
Em nota, a Prefeitura disse que “como medida cautelar, os GCM’s lançaram no ar spray de pimenta (espargidor de pimenta). Após essa ação houve a liberação do local, garantindo o direito de ir e vir daqueles que estavam utilizando o serviço de transporte coletivo”.
O Executivo Municipal também informou que “o ônibus da linha 072 sofreu uma pane durante o tráfego e parou de circular. Com isso, houve um atraso até que fosse feita a substituição do veículo (que não conseguiu chegar ao terminal no horário previsto)”.
Segundo a Agência Municipal de Transporte e Trânsito (Agetran), o veículo reserva que deveria substituir a linha 072 havia sido colocado como reforço para atender a linha 070, pois houve uma demanda acima do previsto naquele horário.
Porém, além do spray, imagens mostram guardas apontando armas na direção dos manifestantes. A situação fez com que a corregedoria da Secretaria Especial de Segurança e Defesa Social (Sesdes) abrisse procedimento administrativo para apurar eventual excesso cometido por servidores da Guarda Metropolitana. O processo deve levar de 30 a 60 dias e neste período os funcionários envolvidos ficam no setor administrativo da unidade de segurança.
A prefeitura também apura os motivos da falha na linha 072, o que provocou todo o problema e, então, encaminhar as providências, uma vez que a manutenção, preventiva e corretiva, dos veículos em circulação são de responsabilidade do Consórcio Guaicurus.
NOTAS DE REPÚDIO 
Além das notas da Guarda e da Prefeitura, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB-MS) e a Defensoria Pública de Mato Grosso do Sul também se manifestaram sobre a confusão. A OAB-MS divulgou nota registrando “pesar” em relação as ações adotadas pela Guarda Municipal Metropolitana de Campo Grande, durante o protesto.
De acordo com a OAB, a Guarda usou desproporcionalmente o gás lacrimogênio contra o movimento de mulheres trabalhadoras domésticas. “A data de 15 de Novembro, Proclamação da República, apesar de histórica para nosso país ainda tem muitas mazelas a serem combatidas fortemente pelas Instituições Democráticas de Direito, em especial por atos de violência contra as mulheres que ainda hoje vivenciam situação de desigualdade em todas as esferas da sociedade”, diz parte da nota.
No documento a OAB-MS caracteriza a atitude dos guardas como “ato de violência contra a mulher e violação aos Direitos Humanos que corrobora a constatação de um país que está em 5º lugar em violência contra a mulher e de uma sociedade machista e patriarcal, que influencia de maneira transversal no dia a dia das mulheres do século XXI”.
Já a Defensoria Pública informou que está à disposição para atender todas as pessoas, em especial as mulheres, que foram agredidas durante a manifestação no Terminal Morenão, na manhã de sexta-feira.
“A instituição repudia toda forma de violência e comunica que receberá as agredidas e agredidos na unidade de atendimento Belmar Fidalgo, localizada na Rua Dr Arthur Jorge 779, a partir de segunda-feira, das 7h30 às 17h, para ouvir as passageiras e passageiros sobre o ocorrido e tomar as providências judiciais cabíveis”, diz a instituição. * Correio do Estado.
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