Gordofobia e padrões estéticos atrapalham o tratamento de combate a obesidade

Obesidade é cercada de estigmas e seu tratamento vai muito além dos julgamentos sociais
Associada com frequência a preguiça ou a falta de vontade de mudar de vida, a obesidade é cercada de estigmas e seu tratamento vai muito além dos julgamentos sociais. Considerado uma doença crônica, o excesso de gordura corporal pode ser ocasionado por diversos fatores, mas o preconceito é apontado por especialistas como o principal motivo para a demora do paciente em procurar ajuda.
Neste ano, o Dia Mundial de Combate a Obesidade, instituído em 4 de fevereiro, luta pelo fim da gordofobia, ou seja, o preconceito que atinge pessoas acima do peso.
De acordo com a médica endocrinologista e metabólica, Renata Antonialli, a pressão social e os padrões estéticos atrapalham o tratamento de combate a obesidade. “ O preconceito atrapalha muito o tratamento da obesidade pois pode fazer com que este indivíduo não procure ajuda. Muitas vezes isso ocorre por vergonha ou por culpa, como se a obesidade ocorresse por uma escolha do indivíduo, “falta de força de vontade”, o que na verdade não é. Procurar tratamento é fundamental para diminuir os riscos de complicações que a obesidade pode acarretar”, explica Renata.
Por ser uma doença multifatorial, diversos fatores são responsáveis pelos casos de obesidade no mundo. “Não podemos atribuir seu aparecimento a uma única razão. As principais causas relacionadas a epidemia de obesidade mundial são os fatores ambientais como o aumento da ingestão calórica e o sedentarismo, bem com estresse, má qualidade do sono e fatores genéticos”, ressalta.
Adultos
A obesidade tem aumentado com frequência entre a população adulta. De acordo com a  Organização Mundial da Saúde (OMS) ao menos 1 bilhão de pessoas apresenta excesso de peso, das quais, 300 milhões são obesos. No Brasil os dados também são altos, sendo que a Pesquisa de Orçamentos Familiares realizada pelo IBGE em 2008/09 aponta aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade no Brasil, atingindo os valores de aproximadamente 49% e 15% da população. Houve, ao longo de 34 anos, um aumento de sobrepeso de três vezes para homens e duas para mulheres.
Para diminuir o índice de obesidade no mundo, o segredo é o mesmo para todas as nações, alimentação saudável e prática de exercícios físicos.  Segundo Renata, no Brasil, de acordo com pesquisas recentes, a população tem adotado no cotidiano a realização de atividades esportivas.
A endocrinologista cita a pesquisa de Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel 2018),  que apontou um aumento, entre 2009 e 2018, de pessoas que praticam pelo menos 150 minutos por semana de alguma atividade física no tempo livre. Há dez anos, esse hábito era mantido por 30,3% da população. Em 2018, o índice subiu para 38,1%.
O grupo de praticantes de atividades físicas  que mais cresceu foi entre 35 e 44 anos. Já o índice de sedentarismo em 2018 entre as mulheres foi maior que entre os homens (14,2%, contra 13% dos homens). “Na nossa capital, o percentual de adultos fisicamente inativos foi de 10,7%. Considera-se fisicamente inativos indivíduos que não praticaram qualquer atividade física no lazer nos últimos três meses e que não realizam esforços físicos intensos no trabalho, não se deslocam para o trabalho ou para a escola a pé ou de bicicleta perfazendo um mínimo de 10 minutos por trajeto/dia e que não participam da limpeza pesada de suas casas”, explica Renata.
Dieta
Nem sempre procurar se encaixar em uma dieta é a melhor forma de cuidar do corpo. “Quando o paciente obeso busca “dietas milagrosas” para perder peso rapidamente tentando alcançar um “modelo corporal” imposto pela nossa sociedade, essas dietas podem trazer inúmeros riscos a saúde, pois grande parte delas são muito restritivas e não balanceadas. Dessa forma, elas acabam atrapalhando as verdadeiras e duradouras mudanças de hábitos que vão levar, de forma segura e eficaz, a perda de peso desses indivíduos obesos”, ressalta.
Medicamentos
Na mesma linha, a automedicação deve ser totalmente evitada, segundo Renata. “A automedicação é extremamente perigosa pois os medicamentos para emagrecer têm contra-indicações e não são isentos de efeitos colaterais. Quando usados inadvertidamente, sem indicação e acompanhamento médico, podem sim causar sintomas graves e irreversíveis”, esclarece.
Porém, para quem acredita que deve fazer uso de medicamentos, o melhor caminho é buscar a ajuda de um médico especialista. “Existem medicamentos aprovados pela Anvisa para auxiliar na perda de peso”, ressalta.
O medicamento, no entanto não deve ser utilizado sem uma orientação nutricional. “O medicamento auxilia juntamente com um programa de reeducação alimentar e atividade física. Assim como qualquer outra medicação, os medicamentos utilizados para emagrecimento podem sim apresentar efeitos colaterais e tem suas contra-indicações específicas. Dessa forma, o tratamento medicamentoso deve ser sempre prescrito por um médico”, reforça Renata.  *Correio do Estado.
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